Sim, eu te amo, mas não posso confiar no que você diz
Sim, eu te amo, mas não posso confiar no que você diz. Talvez essa seja uma das confissões mais difíceis que alguém pode fazer. Existe amor, existe sentimento e talvez até exista vontade de ficar.
Porém, entre sentir amor e entregar novamente o coração existe uma distância enorme quando carregamos feridas que ainda não cicatrizaram.
Palavras bonitas podem emocionar, mas quem já sofreu sabe que palavras, sozinhas, nem sempre oferecem segurança. “Eu te amo”, “confia em mim”, “eu nunca faria isso com você” e “meus sentimentos são verdadeiros” podem ser sinceras, mas também podem despertar lembranças dolorosas em alguém que já ouviu promessas semelhantes antes de se decepcionar.
Por isso, quando digo “Sim, eu te amo, mas não posso confiar no que você diz”, não estou necessariamente dizendo que você está mentindo. Estou dizendo que existe uma parte de mim que ainda tem medo de acreditar.
Eu não sei se você é de verdade ou de mentira
Talvez você esteja sendo completamente verdadeiro comigo. Talvez tudo aquilo que demonstra seja sincero e seus sentimentos sejam exatamente como você descreve. O problema é que minhas experiências anteriores ensinaram meu coração a desconfiar justamente daquilo que parece bonito demais.
E se você for realmente verdadeiro, me desculpe por não conseguir acreditar completamente nos seus sentimentos.
Não quero transformar minha insegurança em uma acusação contra você. Você não deveria precisar pagar pelos erros cometidos por outras pessoas. Porém, também não consigo simplesmente mandar minhas lembranças embora e agir como se determinadas experiências nunca tivessem acontecido.
Quando alguém quebra profundamente nossa confiança, o medo pode permanecer mesmo depois que aquela pessoa sai da nossa vida. Então aparece alguém diferente, oferecendo carinho verdadeiro, e nossa primeira reação pode não ser felicidade. Pode ser medo.
Tenho medo de me machucar novamente
Eu tenho medo de acreditar e descobrir que estava errado.
Tenho medo de entregar meu coração e precisar juntar seus pedaços novamente.
Tenho medo de confiar nas palavras, criar expectativas e depois perceber que tudo aquilo que imaginei não existia.
Esse medo não nasceu por sua causa. Ele estava aqui antes de você chegar.
Talvez seja exatamente por isso que você não consiga entender completamente minha resistência. Você olha para mim e pensa: “Mas eu nunca fiz nada para machucar você”. E talvez realmente não tenha feito.
O problema é que algumas feridas permanecem conosco por muito tempo.
Elas influenciam decisões, criam barreiras e fazem com que enxerguemos perigo mesmo quando alguém está apenas tentando nos amar.
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Sim, eu te amo, mas não posso confiar no que você diz
O amor deveria aproximar duas pessoas, mas existem momentos em que amar também significa reconhecer que não estamos preparados para viver determinado relacionamento.
Posso amar você e ainda assim perceber que não consigo oferecer a confiança necessária.
Posso sentir sua falta e mesmo assim escolher não ficar.
Posso desejar profundamente que suas palavras sejam verdadeiras e, ao mesmo tempo, não possuir coragem suficiente para descobrir.
Parece contraditório, mas sentimentos humanos raramente são simples.
Sim, eu te amo, mas não posso confiar no que você diz, porque minha confiança não depende somente daquilo que você promete. Ela também depende da minha capacidade de acreditar novamente.
E hoje talvez eu ainda não consiga.
Palavras são somente palavras quando faltam segurança e confiança
As palavras possuem poder, mas precisam caminhar acompanhadas de atitudes.
Dizer “eu te amo” é importante. Demonstrar amor diariamente é ainda mais importante.
Dizer “pode confiar em mim” é bonito. Construir um ambiente no qual a outra pessoa naturalmente consiga confiar é diferente.
Por isso, quando alguém está emocionalmente machucado, insistir em promessas nem sempre resolve. Às vezes, quanto mais palavras são pronunciadas, maior fica a dúvida.
A confiança geralmente nasce da constância. Ela aparece quando palavras e comportamentos seguem na mesma direção durante o tempo necessário.
Entretanto, existe outra realidade que também precisa ser reconhecida: ninguém é obrigado a permanecer esperando que outra pessoa esteja pronta.
Talvez você seja verdadeiro, mas eu ainda não esteja pronto
Essa possibilidade dói.
Talvez você seja exatamente aquilo que diz ser.
Talvez seu carinho seja verdadeiro.
Talvez suas intenções sejam boas.
Talvez você realmente queira cuidar de mim.
Mesmo assim, eu posso não estar preparado para receber esse amor.
Reconhecer isso é doloroso porque significa aceitar que nem sempre encontramos alguém especial no momento certo. Algumas pessoas chegam enquanto ainda estamos tentando compreender aquilo que outras deixaram dentro de nós.
E então surge uma escolha difícil: permitir que essa pessoa entre ou admitir que ainda existem barreiras que não conseguimos derrubar.
Eu poderia lhe dar uma chance, mas tenho medo
Dar uma chance significa aceitar a possibilidade de algo maravilhoso acontecer, mas também significa aceitar riscos.
Para quem já sofreu, riscos emocionais podem parecer enormes.
Talvez você diga que vale a pena tentar. Talvez diga que comigo será diferente. Eu gostaria de acreditar nisso. Porém, nenhuma promessa consegue eliminar completamente o medo de alguém que aprendeu da maneira mais dolorosa que sentimentos também podem mudar.
Por isso, algumas pessoas escolhem partir antes mesmo de descobrir o que poderia acontecer.
Não necessariamente porque deixaram de amar, mas porque o medo se tornou maior do que a esperança.
Você precisa ir embora
Dizer “você precisa ir embora” quando ainda existe sentimento parece cruel. Porém, algumas despedidas acontecem justamente porque existe consciência de que permanecer poderia causar ainda mais sofrimento.
Eu poderia pedir para você ficar.
Poderia tentar acreditar.
Poderia dizer que vamos descobrir juntos.
Mas também preciso reconhecer aquilo que consigo oferecer neste momento. Se não consigo confiar, talvez eu acabe questionando cada palavra, cada silêncio, cada demora e cada pequena mudança.
E você não merece viver constantemente tentando provar algo que nunca fez.
Às vezes, deixar alguém partir também pode ser uma maneira dolorosa de impedir que nossas feridas se transformem nas feridas dessa pessoa.
Nossas feridas pesam sobre quem nunca nos feriu
Essa talvez seja a parte mais difícil de reconhecer.
Às vezes, nossas feridas pesam sobre quem nunca nos feriu.
Carregamos experiências antigas para relacionamentos novos sem perceber. Uma mentira do passado pode gerar desconfiança no presente. Uma traição antiga pode provocar medo diante de alguém fiel. Um abandono pode fazer qualquer distância parecer o começo de outra despedida.
Quem chega depois encontra consequências de uma história que nunca escreveu.
E isso pode ser profundamente injusto.
Quando percebemos isso, temos duas responsabilidades importantes: não culpar injustamente quem chegou depois e cuidar das feridas que continuam influenciando nossas escolhas.
Não quero fazer com você aquilo que fizeram comigo
Existe uma grande diferença entre estar machucado e usar a própria dor como justificativa para machucar outras pessoas.
Eu sei quanto dói viver cercado por dúvidas.
Sei quanto machucam as indecisões.
Sei como é esperar uma resposta que nunca chega e tentar compreender sentimentos que mudam constantemente.
Justamente por saber disso, não quero reproduzir essa história com você.
Não quero prender você entre meu amor e minha insegurança.
Não quero aproximá-lo quando estiver com saudade e afastá-lo quando o medo aparecer.
Não quero dizer “fica” hoje e “vai embora” amanhã.
Se não consigo entregar aquilo que um relacionamento saudável precisa neste momento, talvez a decisão mais responsável seja reconhecer isso.
Algumas despedidas também possuem amor
Nem toda despedida acontece porque o amor acabou.
Existem pessoas que se despedem justamente porque ainda se importam.
Amar também pode significar reconhecer nossos próprios limites. Significa perceber quando estamos levando dores antigas para uma história que deveria começar sem carregar as culpas de pessoas que nunca fizeram parte dela.
Talvez nossos caminhos se encontrem novamente.
Talvez não.
Mas não quero transformar algo bonito em outra lembrança dolorosa simplesmente porque tentei viver um relacionamento antes de estar emocionalmente preparado.
Antes de confiar novamente, preciso aprender a acreditar
Minha dificuldade em confiar não precisa definir toda a minha vida.
Feridas podem ser cuidadas. Medos podem diminuir. Experiências ruins podem deixar ensinamentos sem controlar para sempre aquilo que faremos no futuro.
Mas esse processo precisa acontecer por decisão própria.
Não quero que você precise convencer meu coração todos os dias de que merece confiança. Quero chegar ao ponto em que consiga observar atitudes, conhecer alguém verdadeiramente e decidir sem permitir que todas as minhas escolhas sejam governadas pelo passado.
Porque alguém novo merece ser conhecido pelo que realmente é, e não julgado exclusivamente pelo que outras pessoas fizeram.
Sim, eu te amo, mas agora preciso deixar você partir
Talvez você nunca compreenda completamente minha decisão.
Talvez pense que, se existe amor, deveríamos simplesmente tentar.
Eu também gostaria que fosse tão simples.
Mas hoje preciso reconhecer aquilo que existe dentro de mim.
Sim, eu te amo, mas não posso confiar no que você diz. Não porque eu tenha certeza de que você está mentindo, mas porque ainda não consigo acreditar sem medo.
Se seus sentimentos forem verdadeiros, me desculpe por não conseguir recebê-los da maneira que você gostaria.
Você não criou minhas feridas e não deveria precisar carregá-las.
Talvez por isso eu precise permitir que você vá.
Não porque você tenha feito algo errado. Não porque meus sentimentos desapareceram. Mas porque percebi que continuar poderia transformar minha insegurança em sofrimento para nós dois.
Algumas pessoas nos machucam e vão embora. Depois, sem perceber, podemos colocar o peso dessas dores sobre alguém que nunca participou daquela história.
Eu não quero fazer isso com você.
Não quero causar em seu coração aquilo que um dia causaram no meu por medo, dúvidas e indecisões.
Por isso, mesmo amando, escolho deixar você partir.
Talvez um dia eu consiga confiar novamente. Talvez aprenda que nem todas as pessoas repetirão aquilo que fizeram comigo. Até lá, preciso cuidar das minhas próprias feridas antes de pedir que outra pessoa conviva com elas.
Porque amar alguém também pode significar reconhecer quando ainda não estamos preparados para receber o amor que essa pessoa está tentando oferecer.
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